ALAGAMARES
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Plano de Acções para o Biénio 2005-2007
Lista "Pela Cultura, Empenho e Acção"



Foto: Equipa dirigente da Alagamares para o biénio 2005-2007 (Setembro de 2005).

"O que sabemos, saber que sabemos.
O que não sabemos, saber que não sabemos
- Eis o verdadeiro saber"
Confúncio (551 AC-479 AC).

INTRODUÇÃO

Galamares, localidade da freguesia de S. Martinho, Sintra, pequeno microcosmos periférico e de vilegiatura da Grande Cidade nas décadas de 40 e 50 do século passado, vivendo hoje na pulsão entre a serra bucólica e o espectro da metrópole que aos poucos vai chegando à sua porta, é um local carecido de iniciativas em prol da cultura, do debate e da divulgação, não só das suas realidades mas também das do Mundo e das questões que a todos importam nos dias de hoje, em que passivamente nos concentramos nas quatro linhas do televisor que diariamente nos apresenta a Aldeia Global dos outros.

Cientes de que o Saber e a sua difusão não podem descurar a participação efectiva de todos, que somos Nós e Eles ao mesmo tempo, um grupo de cidadãos motivados para intervir e despertar espíritos e consciências, decidiu lançar-se na aventura de criar um espaço próprio de debate e divulgação cultural, sem pretensões vanguardistas ou alinhamentos estéticos ou filosóficos. Assim nasceu a ALAGAMARES, para invadir, com a água purificadora do esclarecimento e do saber, os pântanos e charcos da cultura de folheto ou magazine ou de mundividências perante as quais os seus fundadores se mostram em desassossego.

Tal "alagamento" tem sido pujante e começou a 9 de Março de 2005, quando esse punhado de cidadãos decidiu encetar o caminho deste projecto, lançando o Manifesto Alagamarense e promovendo reuniões preparatórias no sentido de congregar vontades e paixões, esforços e confluência de mentes que pensam e querem ver os demais a pensar.

Nos primeiros quatro meses de associativismo, ainda em fase de Comissão Instaladora, organizou-se um passeio pedestre a Monserrate e sarau musical, empreendeu-se o passeio evocativo dos 650 anos da morte de Inês de Castro, organizou-se a I Oficina de Teatro, e o Passeio de Verão na Arrábida. Também se estruturou a associação, foi estabelecido o portal na internet, angariaram-se 130 associados, participou-se na 12ª Feira Ecológica de Sintra e no Colartes, deram-se entrevistas nas rádios locais, divulgou-se a ideia na imprensa local e, sobretudo, criou-se um Movimento que indica que há vontades e valores para, podendo e querendo, FAZER.

Aproxima-se o momento da institucionalização da ALAGAMARES-Associação Cultural, e das primeiras eleições para a mesma. Há pois que apresentar um programa de acções, ponderado e arrojado, ambicioso e maturado.

A presente proposta de plano de acções visa assim delimitar as tarefas preconizadas para o período de Setembro de 2005 a Setembro de 2007, período do mandato dos corpos sociais. São em número de quatro, fundamentalmente, os conjuntos de tarefas a promover neste período:

I-Consolidação da Associação
II-Cooperação Externa
III-Organização Interna
IV-Programa de Actividades

I - CONSOLIDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO

Uma vez aprovada, em 9 de Março, a intenção de constituir a associação, promoveu-se a escritura da mesma em 20 de Julho de 2005 e, seguidamente, a publicação dos estatutos no Diário da República e a abertura de conta no BES de Colares, e está em curso a inscrição nas Finanças e Segurança Social, bem como a obtenção do cartão definitivo de pessoa colectiva. Promoveu-se ainda a entrega de cartões de associado, e cobrança de quotas para garantir alguma fluídez para actividades, promoção e organização.

Após a instalação dos órgãos sociais, decorrente das eleições de 15 de Setembro, será elaborado e levado à Assembleia Geral, para discussão e aprovação, um Regulamento Interno de funcionamento que contemple os procedimentos que não carecem da dignidade e solenidade dos estatutos, como ofuncionamento das reuniões, dos grupos de trabalho, organização financeira, votações, actas, procedimentos das actividades, organização de processos disciplinares e ponderação de propostas dos associados, regimento das reuniões da Direcção e do Conselho Fiscal, conteúdos dos boletins e portal na internet, etc.

II - COOPERAÇÃO CULTURAL

No sector da cooperação e relações com outras associações e instituições, procurar-se-á celebrar protocolos e acordos com autarquias, associações, pessoas colectivas de direito privado, galerias, grupos de teatro e música, editoras, grupos e orgãos da comunicação social, no sentido de partilhar projectos, obter apoio para os promovidos pela ALAGAMARES, e divulgar as nossas actividades, numa óptica de cooperação e intercâmbio. Procurar-se-á, nomeadamente, através de parcerias, obter descontos e regalias em projectos e programas de associações terceiras, em regime de reciprocidade, realizar a troca de informações e promover projectos conjuntos entre associados, encetar a organização conjunta de eventos, etc.

O âmbito de tal cooperação poderá incluir cooperação com associações e instituições portuguesas e estrangeiras, estando desde já em perspectiva acertar cooperações com o Centro Nacional de Cultura, a FAPAS-Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens, o Lions Clube de Sintra, a associação luso-espanhola del Rey D. Afonso Henriques de Portugal, de Zamora, Espanha, e com o Ministério da Ciência e Ensino Superior e Câmara Municipal de Sintra. No plano local, tal cooperação visará as associações culturais de Sintra e da Grande Lisboa, para já (Teatro Tapa Furos, Amigos de Monserrate).

Para tanto, e decorrente de Regulamento Interno, será criado um Núcleo de Cooperação Cultural, com supervisão do Presidente e a cargo dum membro da Direcção, que igualmente coordenará a divulgação na comunicação social, genérica e especializada, das actividades da associação.

III - ORGANIZAÇÃO INTERNA

A Direcção, uma vez eleita, entre outros objectivos, promoverá:

- a estruturação funcional interna, para além da que decorre das competências e cargos criados pelos Estatutos, de acordo com o conceito de Núcleos de Concepção e Núcleos Operacionais, de cinco a sete elementos cada, com um coordenador por núcleo, designado pela Direcção. Estes núcleos abrangerão as áreas de intervenção estatutáriamente previstas e serão os seguintes:

Núcleos de concepção

1. Núcleo de Património, Urbanismo e Arquitectura
2. Núcleo de Ambiente, Natureza e Ar Livre
3. Núcleo de Teatro, Artes Plásticas e Performativas
4. Núcleo de Economia, Sociedade e Cidadania
5. Núcleo de História e Arqueologia
6. Núcleo de Ciência e Tecnologias
7. Núcleo de Cinema e Música
8. Núcleo de Fotografia e Imagem

Núcleos operacionais

9. Núcleo de Cooperação Cultural
10. Núcleo de Conteúdos
11. Núcleo de Formação e Aperfeiçoamento
12. Núcleo de Organização e Divulgação de Eventos



- a obtenção de sede definitiva
- a organização de livros de actas e ficheiro de sócios
- a criação de um secretariado de apoio e organização de arquivo da Associação
- a aquisição de equipamentos( fax, telefone , computador impressora, etc)essenciais para a gestão administrativa
- No plano financeiro serão promovidos:
- orçamentos, relatórios e contas de 2005, 2006 e 2007
- Contabilidade organizada nos moldes legalmente exigíveis
- plano anual, a aprovar em Dezembro de cada ano, a submeter à Assembleia Geral e com parecer prévio do Conselho Fiscal
- sistema de cobrança de quotas, sendo que a candidatura praticará até 2007 valores anuais mínimos de €18.00 por associado, €12.00 para associado menor de 14 anos e €100.00 (por cada 100 associados) para associados de tipo colectivo, que deverão, de acordo com o Regulamento Interno a criar, estar desprovidas de fins lucrativos para serem admitidas
- candidatura a subsídios e apoios oriundos de entidades públicas e privadas, estando desde já em análise candidaturas aos programas SACRO da CMS e apoio de privados ao abrigo da Lei do Mecenato.

Atenta a natureza não lucrativa da associação, todas as actividades procurarão ser auto-suficientes, sem endividamento externo e com custos moderados. Todas as iniciativas com preço para participação acentuarão de forma significativa a qualidade de associados ou não associados, com especial atenção á qualidade dos primeiros.

IV - PROGRAMA DE ACTIVIDADES

No plano da dinamização de actividades, a metodologia de intervenção traduzir-se-á no seguintes tipos de actividades e acções:

I. Organização de colóquios e conferências temáticas
II. Visitas culturais e técnicas
III. Dinamização artística
IV. Divulgação do património e estudo dos planos de ordenamento territoriais
V. Ciência e tecnologia
VI. Convívios e lazer, ar livre e educação ambiental
VII. Acções de formação e "workshops"
VIII. Outras actividades

As linhas gerais de orientação a seguir serão as seguintes:

I. Para a concretização do programa de colóquios e conferências, procurar-se-á organizar, a partir de propostas dos núcleos e realçando sempre as iniciativas vindas livremente por parte dos associados, um programa com um conjunto de colóquios de interesse cultural e científico, a promover na sede provisória, ou noutros locais adequados e acertados pontualmente, com orador convidado e aberto a todos os interessados. Poderá ser adoptado modelo de conferência, debate, sarau ou jantar-convívio. Entre os temas a explorar, e sem carácter definitivo ou vinculativo, estão temas históricos (sobre Colares, os Templários, "Eram os Lusitanos nossos avòs?", "Marquês de Pombal-herói ou vilão?"), economia local, património, poesia, urbanismo ("Jornadas para um Desenvolvimento Sustentável"), defesa do consumidor e ambiente ("As alterações climáticas" e outros).

Serão seleccionados igualmente assuntos de interesse dos associados e livremente propostos por estes, com debate aberto e igualmente de incidência regional. O Núcleo de Organização e Divulgação de Eventos e os mais núcleos operacionais concorrerão para a organização de todas estas actividades.

II. No plano das visitas culturais e técnicas, serão promovidas visitas guiadas, de preferência aos fins de semana, com número mínimo de participantes a anunciar, a locais ou circuitos de relevante interesse histórico, cultural, científico e ambiental, sempre que possível com periodicidade regular, além de outros circuitos de periodicidade mais espaçada (a Marrocos e Astúrias, por exemplo), e passeios pedestres orientados ou em bicicleta.

Entre os próximos, vamos assinalar os 250 anos do terramoto de 1755, visitar a Sintra de Fernando II, promover visitas a faróis, aos estudios da RTP, ao Palácio de Belém, aos centros "de ciência viva", a começar pelo Pavilhão de Conhecimento, no Parque das Nações, à Faculdade de Ciências, ao Instituto Gulbenkian de Ciência, etc. Serão promovidos ainda os "Sábados pela Cidade", e um ciclo de passeios aos parques naturais portugueses e vilas históricas, um passeio "As serras de Eça", para além de se voltar a realizar anualmente o Grande Convívio de Verão da Alagamares. Está em estudo o projecto "Um pouco mais de oxigénio" pelo qual os associados da Alagamares irão plantar uma árvore cada em zona devastada pelos incêndios.

III. No plano da dinamização artística, promover-se-ão mostras e espectáculos de música popular e erudita, cinema, teatro, dança, ópera, músicalidades étnicas, poesia, exposições de arte design e escultura, e outras, com a participação privilegiada de novos artistas e talentos, de preferência ligados ao concelho de Sintra, mas também nacionais ou estrangeiros. O trabalho a desenvolver nestas áreas repartir-se-á pelos núcleos de Teatro e Artes Plásticas e Performativas e de Cinema e Música, em articulação com o núcleo de Organização e Divulgação de Eventos.

IV. Será promovido o estudo e a divulgação dos aspectos relacionados com o património de Sintra classificado pela UNESCO, como sejam os parques e as manchas florestais, os centros históricos, as arquitecturas áulica, militar e religiosa, os monumentos e os vestígios arqueológicos, com especial enfoque no património que se encontra em risco, abandonado e/ou em degradação, bem como o estudo do urbanismo em Sintra, incidindo, por um lado, na expansão urbanística excessiva e nos problemas daí resultantes, e, por outro, na melhoria da qualidade de vida proporcionada pela valorização do ordenamento do território, da arquitectura de qualidade, dos valores paisagísticos, do turismo sustentado e do respeito pelos habitats naturais e pelo meio ambiente.

Será iniciado o estudo e discussão dos planos especiais e municipais de ordenamento do território, da orla costeira, ambientais e outros, em vigor ou previstos, com participação e promoção de sessões públicas de acompanhamento e esclarecimento, promovendo mesas redondas onde os vários interesses em conflito possam ser de forma clara e equilibrada expostos e analisados, numa óptica de contributo para a cidadania e a melhoria da qualidade de vida da comunidade.

V. No que respeita a ciência e tecnologia, será promovida a divulgação popular de ciência e tecnologia, focando-se, de forma acessível, os aspectos relacionados com "o que é a Ciência?", a guerra da ciência contra o movimento pós-modernista, os sistemas eleitorais, a inteligência artificial, a segurança informática e a criptografia, etc. Para este efeito, serão produzidos artigos de divulgação de Ciência, a editar regularmente através do portal da Associação, e serão igualmente propostos, caso se verifique interesse, debates sobre ciência, no formato de conferência ou tertúlia.

Será ainda optimizado o portal www.alagamares.net da associação, divulgando as actividades propostas, a vida da associação e, com interactividade entre os associados e interessados nas actividades da mesma, a sua actualização permanente. Está já criado o blogue da Alagamares, o Alagablogue.

VI. A associação promoverá convívios, na sede ou fora dela, onde se promova o lazer, a diversão e o reforço do sentimento de grupo, entre os seus associados, de carácter regular, a supervisionar pelo núcleo de Ambiente, Natureza e Ar Livre, que igualmente promoverá passeios pedestres e de cicloturismo, desportos e jogos tradicionais, e, por si ou em ligação com outras associações, passeios no litoral, de observação de fauna e flora, e geologia. Em 2006 será promovido o I Acampamento da ALAGAMARES, virado para o lazer e educação ambiental.

VII. No plano da formação, procurar-se-á organizar, a partir de propostas dos núcleos, "workshops" sob temáticas de ecologia, educação ambiental, cultura popular, património, etc., decorrente dos quais se entregarão certificados de participação. Entre os próximos estarão os ligados à jardinagem, ecologia, azulejaria, banda desenhada, a II Oficina de Teatro, etc. Será criado o núcleo de Formação e Aperfeiçoamento, podendo ser criados grupos de trabalho específicos em função dos temas a desenvolver.

VIII. Estão ainda preconizadas homenagens a vultos relevantes de Sintra, como José Alfredo da Costa Azevedo e Cardim Ribeiro, a criação duma publicação se possível trimestral e uma Feira dos Saberes, além da Mostra Fotográfica "Galamares-Passado e Presente".

Será ainda criado um núcleo de Conteúdos, que promoverá a produção, recolha e arquivo de materiais expositivos, fotográficos e audiovisuais da associação, bem como a produção e distribuição, em ligação com os outros núcleos opracionais, dos materiais de propaganda, divulgação e sensibilização da mesma.

Para a concretização das diversas actividades a Direcção criará os Núcleos já atrás citados, compostos também por associados voluntários que garantam a logística, apoio e sucesso dos diversos eventos e chefiados por um coordenador livremente designado e substituído pela Direcção e que responderá perante a mesma acerca das tarefas desenvolvidas.Os coordenadores que não sejam simultâneamente membros da Direcção terão assento sem direito a voto nas reuniões da mesma onde sejam agendados assuntos em curso nessas áreas.

Serão igualmente preenchidos os lugares previstos do Conselho Consultivo, para o desempenho das funções decorrentes dos Estatutos, o qual actuará de acordo com o futuro Regulamento Interno, e se procurará que seja composto por figuras de reconhecido mérito e prestígio que possam com a sua experiência e conhecimento ajudar á valorização dos objectivos da associação.

Imbuído duma cultura de participação e diálogo, o Presidente informará de toda a actividade, na sequência de cada reunião da Direcção, os presidentes da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal, enviando-lhes as actas, documentos e expediente que haja interesse para conhecimento e, nos prazos legais, para o exercício das legais competências. Todos serão convidados a regularmente manifestarem as suas opiniões sobre o curso das actividades da associação, e a qualidade das mesmas, seja em Assembleias Gerais ou em reuniões abertas da Direcção com participação dos associados, as quais serão anunciadas préviamente.

NOTAS FINAIS

A ALAGAMARES quer ser um parceiro e actor cultural, mas quer sobretudo divulgar e aprender, para tanto se balizando pela discussão e abordagem permanente de assuntos novos ou em novas perspectivas. Como disse Miguel de Unamuno, "a erudição é, em muitos casos, uma forma disfarçada de perguiça intelectual ou um ópio para adormecer as inquietações intímas do espirito". Não seremos um núcleo de eruditos, mas seremos artífices e artesãos do Saber, sem dirigismos, dogmas ou espirito de capela.

A participação de todos, nas actividades e na vida associativa, será a pedra angular do sucesso e eficácia desta associação cujo objectivo é o da promoção da cultura, da região de Sintra e dos seus associados.

A Direcção.

Galamares, 20 de Setembro de 2005.





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Publicado em: 2005-09-23 (1860 leituras)

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