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Está prestes a chegar ao fim mais um período de 52 semanas nas quais o Homem, animal de hábitos, se habituou a dividir o tempo para estancar actividades, comportamentos e pela sua reiteração, rituais.
Um desses rituais é o do balanço do ano que finda e as expectativas, sempre esperançosas, para o ano que começa.
2007 pouco ou nada de novo trouxe na área da Cultura, sector em que o Verbo estrangula a Verba , e à falta de vacas gordas, nos vamos contentando com os Berardos que merecemos.
As referências de vulto são mais para referir as perdas-Bergman, Antonioni, Pavarotti-do que para assinalar grandes eventos, nesta sociedade cada vez mais googlezada e estratificada, de hedonismos para todos os gostos e em que as grandes causas deixam de ser as da sociedade mais justa para se virarem para as modas (embora não menos sérias e prementes) das causas do clima, da net ou do consumo.
Segundo alguns Trendsetters (especialistas em novas tendências) o português do futuro caracterizar-se-á por preferir o Skype ao telefone, fazer escapadelas de fim de semana ao estrangeiro, aposta num disco rígido ligado à TV, não gosta de fumar e associativismo ou vida partidária são coisas fora de moda.
Segundo os autores de um estudo, de que o PÚBLICO se fez eco, o português (urbano) do futuro prefere causas e acções de protesto pontuais, e procura amigos temáticos fruto de diversidade cultural. As pessoas estarão menos disponíveis para aderir por períodos muito longos a organizações fixas e preferem actuar por impulso, vincando um individualismo em que é mais estimulante o que se passa na vida de cada um ou do seu núcleo de amigos do que o que se passa na sociedade. Isto coincide com o incremento da Internet e o fim do televisor único em casa, com vários aparelhos por habitação e a possibilidade de pré-escolher os programas e as horas a que passam,fazendo de cada um um programador de televisão.
Neste quadro, a oferta cultural tenderá para ser feita à medida, com um quadro social fragmentado e de nichos, onde a visão de bloco, anterior, tenderá a desaparecer. É a idade do indivíduo em rede, onde partilhar um projecto ou uma mensagem no YouTube ou no MySpace é mais apetecível que as tradicionais reuniões ou rituais da cultura de massas anteriores.
Este um tema para quem, como a Alagamares, se move no universo das causas culturais, pensar e levar a sério. O paradigma mudou, e o futuro já não é como era. Há pois que estar atento e saber passar a mensagem neste novo universo fragmentado.
Em 2008, estaremos presentes numa nova série de eventos, que passarão, entre outros, pela evocação do quarto centenário do Padre António Vieira, por debates sobre alterações climáticas, as invasões francesas ou os cem anos do regicídio, oficinas de teatro, dança e fotografia, parcerias com outras associações, como a SETA e a Danças com História , passeios ambientais, encontros interculturais (com a comunidade cabo-verdeana, p.exemplo) e deslocações temáticas, como a que se prevê efectuar a Zaragoza por ocasião da Expo 2008, ou a Santarém, sob a égide de Almeida Garrett.
Para a concretização do programa de colóquios e conferências, procurar-se-á organizar, a partir de propostas dos núcleos de trabalho, e realçando sempre as iniciativas vindas livremente por parte dos associados, um programa com um conjunto de colóquios de interesse cultural e científico, a promover na sede, ou noutros locais adequados e acertados pontualmente, com orador convidado e aberto a todos os interessados. Poderá ser adoptado modelo de conferência, debate, sarau ou jantar-convívio. Entre os temas a explorar, e sem carácter definitivo ou vinculativo, estão assuntos de interesse dos associados e livremente propostos por estes, com debate aberto e igualmente de incidência regional.
No plano das visitas culturais e técnicas, serão promovidas visitas guiadas, de preferência aos fins de semana, com número mínimo de participantes a anunciar, a locais ou circuitos de relevante interesse histórico, cultural, científico e ambiental, sempre que possível com periodicidade regular, além de outros circuitos de periodicidade mais espaçada.
No plano da dinamização artística, promover-se-ão mostras e espectáculos de música popular e erudita, cinema, teatro, dança, ópera, musicalidades étnicas, poesia, exposições de arte design e escultura, e outras, com a participação privilegiada de novos artistas e talentos, de preferência ligados ao concelho de Sintra, mas também nacionais ou estrangeiros. O trabalho a desenvolver nestas áreas repartir-se-á pelos núcleos de Teatro e Artes Plásticas e Performativas e de Cinema e Música, em articulação com o núcleo de Organização e Divulgação de Eventos.
Será promovido o estudo e a divulgação dos aspectos relacionados com o património de Sintra classificado pela UNESCO, como sejam os parques e as manchas florestais, os centros históricos, as arquitecturas áulica, militar e religiosa, os monumentos e os vestígios arqueológicos, com especial enfoque no património que se encontra em risco, abandonado e/ou em degradação, bem como o estudo do urbanismo em Sintra, incidindo, por um lado, na expansão urbanística excessiva e nos problemas daí resultantes, e, por outro, na melhoria da qualidade de vida proporcionada pela valorização do ordenamento do território, da arquitectura de qualidade, dos valores paisagísticos, do turismo sustentado e do respeito pelos habitats naturais e pelo meio ambiente. Prosseguirá a campanha cívica pelo restauro do Chalet da Condessa d’Edla, no Parque da Pena.
Será iniciado o estudo e discussão da revisão dos planos especiais e municipais de ordenamento do território, da orla costeira, ambientais e outros, em vigor ou previstos, com participação e promoção de sessões públicas de acompanhamento e esclarecimento, promovendo mesas redondas onde os vários interesses em conflito possam ser de forma clara e equilibrada expostos e analisados, numa óptica de contributo para a cidadania e a melhoria da qualidade de vida da comunidade.
No que respeita a ciência e tecnologia, será promovida a divulgação popular de ciência e tecnologia, focando-se, de forma acessível, os aspectos relacionados com "o que é a Ciência?", a guerra da ciência contra o movimento pós-modernista, os sistemas eleitorais, a inteligência artificial, a segurança informática e a criptografia, etc. Para este efeito, serão produzidos artigos de divulgação de Ciência, a editar regularmente através do portal da Associação, e serão igualmente propostos, caso se verifique interesse, debates sobre ciência, no formato de conferência ou tertúlia.
Será ainda optimizado o portal www.alagamares.net da associação, divulgando as actividades propostas, a vida da associação e, com interactividade entre os associados e interessados nas actividades da mesma, a sua actualização permanente.
A associação promoverá convívios, na sede ou fora dela, onde se promova o lazer, a diversão e o reforço do sentimento de grupo, entre os seus associados, de carácter regular, a supervisionar pelo núcleo de Ambiente, Natureza e Ar Livre, que igualmente promoverá passeios pedestres e de cicloturismo, desportos e jogos tradicionais, e, por si ou em ligação com outras associações, passeios no litoral, de observação de fauna e flora, e geologia.
Em 2008 será promovido o I Acampamento da ALAGAMARES, virado para o lazer e educação ambiental.
No plano da formação, procurar-se-á organizar, a partir de propostas dos núcleos, "workshops" sob temáticas de ecologia, educação ambiental, cultura popular, património, etc., decorrente dos quais se entregarão certificados de participação. Entre os próximos estarão a III Oficina de Teatro, em breve e sobre danças europeias e históricas. Será criado o núcleo de Formação e Aperfeiçoamento, podendo ser criados grupos de trabalho específicos em função dos temas a desenvolver.
Estão ainda preconizadas homenagens a vultos relevantes de Sintra, além da Mostra Fotográfica Olhar Sintra.
Será ainda criado um núcleo de Conteúdos, que promoverá a produção, recolha e arquivo de materiais expositivos, fotográficos e audiovisuais da associação, bem como a produção e distribuição, em ligação com os outros núcleos operacionais, dos materiais de propaganda, divulgação e sensibilização da mesma.
O Presidente da Direcção
Fernando Morais Gomes
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