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Graças ao incansável trabalho de Filomena Oliveira e Luís Martins pela cultura em Sintra, foi com imenso espanto e contentamento que li o artigo publicado no JS de 24 de Março de 2005 "Curso de Férias em Sintra em 1933". Rodrigues Lapa, esse mestre amigo e companheiro inseparável de todos os que amam a língua e a literatura portuguesa, visionou em 1933 algo que posso testemunhar aconteceu em Sintra muitos anos depois, entre 1984 e 1989.
A experiência de ensino do idioma português a estrangeiros em cursos de férias que nesse período a escola Mons Lunae desenvolveu em Sintra confirma todas as palavras do mestre, quando diz que a sua importância económica e cultural [é...] desnecessário encarecer. Os cursos de língua portuguesa então realizados fixavam os participantes estrangeiros em Sintra durante períodos médios de três semanas. Toda a comunidade beneficiava económica, humana e culturalmente com a sua presença, aliás a interactividade e a comunicação com as famílias portuguesas hospedeiras, assim como nos cafés, nos restaurantes, em convívios era um pressuposto para a aquisição rápida de conhecimentos.
Se falo disto é porque considero importante para a história social e cultural de Sintra que se conheça a sua existência. Participei desde o início na construção desse projecto que além das aulas de Língua Portuguesa oferecia uma ampla gama de actividades extracurriculares como passeios ou excursões na região de Sintra e outros pontos do país, visitas a monumentos, uma noite de fado em Lisboa, aprendizagem da língua pela música, etc. A evolução do projecto está bem documentada e poderá servir de material de reflexão para um futuro relançamento dessa actividade em Sintra.
A Mons Lunae alcançou um reconhecimento da sua qualidade. Centenas de alunos adultos, mas também famílias com crianças ou séniores, sobretudo dos países da Europa Central, jovens em formação profissional, ou cooperantes dos PALOP deixaram o seu testemunho de satisfação pelos cursos assim como variadas instituições e universidades europeias. Pessoalmente, posso afirmar que a maior recompensa que tive foi ter ouvido uma jovem estudante alemã afirmar, depois de um passeio pela Serra com epicuriana aula ao ar livre e em andamento, que aquele tinha sido o dia mais bonito da sua vida. Um grupo de excelentes professores garantia a eficácia dos resultados, a Câmara de Sintra reconheceu os bons resultados atingidos e pôs à disposição as antigas instalações do actual Museu de Arte Moderna.
À semelhança de muitas cidades com estatuto cultural por toda essa Europa, a Câmara de Sintra devia chamar a si a responsabilidade de organizar em parceria com instituições públicas e membros da sociedade civil de Sintra os novos Cursos de Verão de Língua Portuguesa para Estrangeiros. O contributo do município poderá passar sobretudo pela cedência de um espaço digno, pensamos por exemplo na Quinta da Regaleira, e outro apoio infraestrutural. Quanto ao resto citamos mais uma vez Rodrigues Lapa para concluir: ...um curso de férias em Sintra, o suave retiro tão querido dos estrangeiros, impõe-se como medida urgente. A sua organização é a coisa mais fácil do mundo. O pouco dinheiro dispendido seria largamente compensado; e o estrangeiro, que uma vez sentisse o ar fino e cheiroso da serra, provasse os vinhos e a fruta da várzea e mergulhasse nas águas do Atlântico, nunca mais esqueceria esta deliciosa terra hospedeira e o seu belíssimo idioma.
Posso testemunhar que a visão do mestre se materializou já em Sintra. Que ela volte a renascer pelas mãos de algumas boas vontades.
Jorge Telles de Menezes (22.02.2007).
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