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O projecto Traço Comum - Tertúlia de Poetas de Sintra, nascido no seio de uma parceria entre o Ginásio Clube de Queluz e a Casa das Cenas, tem como objectivo dinamizar e organizar projectos de divulgação cultural na área do concelho de Sintra.
Tertúlia de Poetas de Sintra
O Traço Comum afirma-se antes de tudo como um espaço plural de discussão e convivência entre amantes de literatura e das artes, numa iniciativa que pretende partir unicamente da sociedade civil.
Ponto estratégico da região de Lisboa e Vale do Tejo, pela sua intensa actividade e pressão populacional, o concelho de Sintra é hoje uma vasta área pautada, em regra, por uma escassez de iniciativas de divulgação cultural.
Não se pretendem substituir ao trabalho das instâncias oficiais sintrenses. Partem, contudo, da convicção de que vivem um contexto actual de dificuldade e de pobreza na vida cultural do concelho, consequência da sua enorme dimensão e heterogeneidade, onde se reúnem algumas bolsas populacionais onde nada acontece em termos de cultura.
Neste enquadramento, consideram que todos os esforços são poucos para dar continuidade à história de emanação cultural e inspiração literária que sempre marcou esta região, e da qual só nos poderemos orgulhar.
Poesia e Sintra: um início
"A poesia tem a capacidade de desconstruir os alicerces do óbvio; de brincar à cabra-cega com a lógica da Vida." Fernando Lobo.
A viagem que constitui o projecto Traço Comum arranca com uma ideia matriz: pretende restituir ao concelho de Sintra parte da sua tradição enquanto pólo cultural no mundo das letras portuguesas.
O objectivo é a união de gentes e sensibilidades, partilhando o mesmo espaço geográfico e identitário em torno de um referencial comum: a língua portuguesa o seu património cultural literário. E quiseram que esta homenagem enveredasse não tanto pela perspectiva académica, do rigor, mas pela da imaginação, e da criação de um espaço e de um ambiente familiar, que tantas vezes falta nos nossos movimentados dias.
Decidiram portanto percorrer uma caminhada composta por livros e autores, por um lado, mas também por terras e gentes, cruzando pontos convergentes mas representativos da história da região de Sintra.
Ao seleccionarem os nomes maiores do imaginário poético português, esta viagem é também a nossa forma de agradecimento aos que deixaram um legado e uma identidade culturais às gerações futuras.
Uma peregrinação cultural
Os caminhantes e os peregrinos são algo de antigo como o próprio Homem, mais a sua constante vontade de sonhar e viajar. O Traço Comum tenta constituir-se como uma peregrinação cultural, que mensalmente leva um grupo de amantes das letras a diferentes pontos do concelho de Sintra.
A realidade cultural da região sintrense é amiúde uma história feita de assimetrias é como se estivéssemos a percorrer uma manta de retalhos, na qual cada terra deixa a sua impressão digital.
Esta peregrinação, feita por trilhos tão diferentes - a Sintra romântica, a rural e a urbana - é também uma experiência de descoberta. Estes antigos caminhantes levavam consigo pouco mais do que a sua própria roupa. Dependiam da sua capacidade de se misturar e de conhecer os sítios e as gentes por onde passavam. A curiosidade e o espírito aberto eram muitas vezes a sua principal ferramenta.
Pretende o Traço Comum por isso não marcar apenas presença em pontos tão diferentes do concelho, mas ir também ao encontro da história das terras, da sua tradição cultural, daquilo que por lá se passa. Aprofundar, em suma, a relação e o espaço de cada localidade na complexa geometria do concelho.
Na rota dos cafés
(Taberna. Casa de pasto. Café.) O café, como o mais clássico dos pontos de encontro, apareceu como o cenário ideal para um evento desta natureza. A região de Sintra, e não apenas a vila antiga, está ligada de forma indissociável ao fenómeno dos cafés, alguns deles com uma história de considerável respeito. O café significa discussão, rixas, polémica, significa pessoas e diferenças. São pontos definidores das cidades, que funcionam como espelhos: símbolos do espírito e da vontade das pessoas em estarem comunitariamente.
Ou também como reflexo de uma certa brutalidade e impessoalidade, consoante a envolvente que o acolhe.
Recuando não muito na história das cidades e dos sítios, lembram os cafés como ponto de movimentos sociais, políticos, culturais. Alguns, pela sua sofisticação, tornaram-se referências para as comunidades que os albergavam. Pela porta do Nicola, do Marare, do Martinho da Arcádia, do Magestic, passaram algumas das mais emblemáticas figuras públicas portuguesas. E acreditem: as paredes destes estabelecimentos falam, se escutarmos com atenção…
Hoje, alguns destes vão subsistindo, como verdadeiros refúgios onde a História passada parece, ainda, continuar a vibrar.
Sintra, cafés e poesia: três elos para aproximar a vida das gentes sintrenses. Acreditam ser esse o caminho a seguir na vida cultural da nossa região.
Texto (adaptado): Traço Comum (12.02.2007).
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