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Tudo começou numa tarde solarenga de Abril de 2000. O momento não poderia ser mais propício, pois como disse Eliot no início do seu Wasteland: April is the cruelest month. Assim foi. Dois jovens scalabitanos, ameaçados por uma quantidade anormal de professores, lá foram obrigados a enfrentar uma multidão enfurecida e dizer dois poemas que constassem do programa.
Desde esse dia que juraram que jamais diriam poemas que constassem de programa algum. Contudo, o gosto por dizer poesia ficou e fermentou, qual boa cerveja dentro dos tanques de cobre, durante os quatro anos universitários. Depois de umas tímidas experiências nesse período, sentimos a obrigação moral de destacar um dia vital para toda a nossa existência poética:
Pelas dezasseis horas e trinta e dois minutos, em plena Bijou em Santarém, enquanto debatíamos animadamente a possibilidade de retomar o projecto dos recitais, eis que surge uma nuvem de vapor directamente da máquina de café. Quando olhámos para a parede onde a nuvem de vapor se tinha desvanecido, vimos surgirem as palavras Poesia para Ninguém.
Um sinal, disse o Gonçalo. É definitivamente um sinal.

Foto: Poesia para Ninguém - Pedro Lopes e Gonçalo Veiga (2007).
Desde então que temos vindo a cumprir de forma única esse destino que nos foi confiado entre um pampilho e um galão numa tarde mais ou menos fria de Santarém.
Poesia para Ninguém (12.02.2007).
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