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De entre o património ao abandono absoluto em Sintra, Património Mundial, ressalta de forma chocante o chalet romântico de D. Fernando II e sua segunda esposa, Elise Hensler, condessa d'Edla, escondido na mata da Pena, e nas circunstâncias de abandono que a foto documenta desde que foi consumido por um fogo em 1999.
O local vale não só pelo interesse histórico e arquitectónico, mas também pela envolvente, pelos jardins plantados pessoalmente pelo rei e pela Condessa, com o apoio do cunhado americano e silvicultor John Slade, destacando-se no jardim original as camélias, trazidas para Sintra pelo próprio D. Fernando.
Foto nr. 1: Parque da Pena, Chalet da Condessa d'Edla. © Alagamares (09.09.2006).
O chalet da condessa, também conhecido como Casa do Regalo, foi construído entre 1869 e 1875, no talhão XII da parcela C do Parque, propriedade particular na sua totalidade de D. Fernando de Saxe Coburgo, rei víuvo de D. Maria II. Inspirado nos chalets suiços, ninho de amor e refúgio de pintura, concebido para maior privacidade do casal após o segundo casamento, era parcialmente forrado a cortiça, com fachadas de alvenaria a imitar as casas rústicas americanas e pinturas de heras cobrindo as paredes.
Tendo em conta o pendor rosacruz de D. Fernando, houve quem prenunciasse o destino trágico do edifício, que acabou consumido pelo fogo, quiçá observado pelo fantasma angustiado da condessa entoando uma ária das que cantou no princípio da sua vida romanesca, até a trazer a Portugal como cantora lírica.
Foto nr. 2: Parque da Pena, Chalet da Condessa d'Edla. © Alagamares (09.09.2006).
A 12 de Julho de 1890, e morto já D. Fernando, deixando toda a Pena e jardins em herança à condessa, o Estado Português comprou todo o património à mesma, por 410 contos em títulos da dívida pública, acossado por opiniões que entendiam ser um património demasiado importante para ficar nas mãos da estrangeira e segunda esposa do rei defunto. Estrangeira, que aliás, muito fez pela cultura portuguesa, ajudando com bolsas de estudo figuras como Viana da Mota e Columbano Bordalo Pinheiro.
A condessa morreu em 1929, em Lisboa, e o seu chalet, esse, foi morrendo entregue à incúria que parecia querer advinhar a fatalidade de 1999, ali quedando em ruínas e sem tecto.
Foto nr. 3: Parque da Pena, Chalet da Condessa d'Edla. © Alagamares (09.09.2006).
Cabe à sociedade civil sintrense defensora da Memória sair em defesa do rápido restauro deste edifício. Porque sabemos haverem projectos. E dinheiro. Falta pois a vontade determinante!
Enquanto o Chalet não fôr recuperado, sangra Sintra e ensombrado fica o Património Mundial classificado pela UNESCO!
Entendendo um grupo de cidadãos que se torna necssário agir de forma construtiva e propulsora no sentido do restauro dum património que é de todos, vimos convocar os cidadãos cultores da Memória para uma reunião/debate sobre este tema nas Caves de S. Martinho, em Galamares, dia 17 de Novembro, pelas 21h, aí se vindo a assentar sobre as formas de, enquato sociedade civil, desperta e preocupada, actuar na busca dum final feliz para o Chalet da Condessa de Edla.
Foto nr. 4: Parque da Pena, Chalet da Condessa d'Edla. © Alagamares (09.09.2006).
Ligações relacionadas
Condessa d'Edla, um tributo após o esquecimento (DN, 17.03.2006)
O Rio das Maçãs: A Condessa d'Edla e Memória descritiva do Chalet da Condessa d'Edla
Fernando Morais Gomes (04.11.2006).
Nota: Veja os albuns de fotografias e gravuras da Condessa d'Edla e do Rei D. Fernando aqui:
album 34 e album 27.
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