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Com tempo disfarçado - tempo de Sintra, afinal - levou a Alagamares-Associação Cultural a efeito mais um passeio cultural pelas memórias da Vila e da Estefânea, sempre na peugada do testemunho de José Alfredo Costa Azevedo, o cronista de Sintra do século XX.
Partindo da Correnteza, onde há 130 anos surgiram as casas dos engenheiros responsáveis pelo novo Laramjat, o monocarril que iria ligar Lisboa a Sintra em 1870, passou-se ao Largo D. Manuel, obra de Craveiro Lopes, desceu-se a Alfredo Costa, testemunha das histórias burguesas de oitocentos e noventos, do general Correia Barreto, Formigal de Morais, Fernando Branco, Eusébio Leão ou Álvaro de Vasconcelos, entre outros, atravessando a loja maçónica Luz do Sol, o antigo clube dos 40 e a escola Conde Ferreira.
 Foto nr. 1: Da Estefânea à Vila Velha, no rasto de José Alfredo. © Alagamares (17.06.2006).
Da Câmara Municipal, obra de Adães Bermudes inaugurada em 1909, passou-se à casa dos herdeiros da Maria Sapa, museu de Pedro e Artur Anjos Teixeira, e à Volta do Duche, erguida em memória dos estabelecimentos de banhos que entre 1849 e 1909 ali funcionaram. E entrou-se na Vila Velha....
 Foto nr. 2: Da Estefânea à Vila Velha, no rasto de José Alfredo. © Alagamares (17.06.2006).
O velho burgo, crescido à sombra do Paço mudéjar de D. João I e D. Manuel, é um sem fim de memórias da vida burguesa e de vilegiatura do século do romantismo: dos antigos hotéis de charme (O Costa, o Nunes, o Victor, o Lawrence) ao comércio da Alpendrada, ruidosa em dias de mercado, fronteira à Torre sineira e à antiga prisão. Mas também se lembraram os antigos cinemas, e Latino Coelho, por via de quem, durante anos, se celebrou o feriado municipal em Sintra a 29 de Agosto, o Paço dos Ribafria e dos Pisões, e a velhinha Sociedade União Sintrense, da noite das camélias.
 Foto nr. 3: Da Estefânea à Vila Velha, no rasto de José Alfredo. © Alagamares (17.06.2006).
Fonte da Pipa abaixo, cheirados os travesseiros da Periquita e cruzada a parafernália do Arco do Teixeira, desaguámos no Poço do Romão, na antiga Câmara, no Palácio Valenças, e tudo se concluiu na verde e eterna Sintra que os sons e cheiros únicos do Parque da Liberdade nos proporcionam.
 Foto nr. 4: Da Estefânea à Vila Velha, no rasto de José Alfredo. © Alagamares (17.06.2006).
Memórias atrás de cada porta para descobrir, respeitar e valorizar. E uma frase ficou a ecoar, profética e lapidar, extraída daquela Fonte da Pipa que D. Maria devolveu ao povo após Pombal: Nom consideres personam pauperes nec honores vultum potentis juste judica proxmo tuo - "Não atentes na aparência do pobre, nem atendas à importância do poderoso. Julga em estrita Justiça o teu concidadão". Levítico.
É sempre bom voltar á Vila Velha!
 Foto nr. 5: Da Estefânea à Vila Velha, no rasto de José Alfredo. © Alagamares (17.06.2006).
Era um imperativo da Alagamares pegar na bandeira de Zé Alfredo e continuar a pugnar por esta Sintra plena de símbolos, cheiros e memórias. Graças à sua escrita militante e apaixonada pela sua terra, ficou-nos um legado da Sintra do Povo, simples e também burguesa, dos Homens e dos seus sonhos, no dealbar dum século onde a emergência dos Estoris levou os dandies do séc. XIX, mas deixou toda a galeria de figuras de Zé Alfredo - o ti João das Barbas, o Dr. Virgílio Horta, Francisco Costa, Félix Alves Pereira, e outros que, não fora ele, passariam despercebidos na construção desta Vila fascinante. Obrigado José Alfredo!
Fernando Morais Gomes
Presidente da Alagamares
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