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A Associação Cultural Nova Acrópole tem por objectivo fundamental, nas palavras do director da secção portuguesa, José Carlos Fernandez, "ajudar a que a alma humana, a consciência ou vontade interior — como queiramos chamá-la — possa afirmar-se, expressar-se e crescer através do conhecimento e da acção altruístas". Para isso propõe diversas actividades culturais, entre as quais estudos de filosofia numa escola à maneira clássica.
As origens
A Associação Cultural Nova Acrópole foi fundada em 1957 e, desde então, tem-se preocupado especialmente com a formação filosófica dos jovens, adaptada à época actual, de uma forma independente e alheia a qualquer influência religiosa, política ou socio-económica.
Foi iniciada pelo professor Jorge Angel Livraga Rizzi, na cidade de Buenos Aires, Argentina, juntamente com jovens universitários e estudantes aos quais cedo se juntaram personalidades do mundo artístico e cultural. Estavam reunidos em torno de uma ideia e de um movimento enriquecedor do espírito e de esperança para todos.
No começo dos anos setenta, devido às suas acções de carácter cultural e social, é reconhecida como Fundação de Utilidade Pública na Argentina. Nesta época adquire dimensão internacional.
Actualmente, a Associação Cultural Nova Acrópole está presente em mais de cinquenta países do mundo. Reúne mais de dez mil membros activos e centenas de milhares de simpatizantes que se exprimem em mais de dezoito idiomas e representam uma vasta gama de confissões religiosas, origens étnicas e heranças culturais, oferecendo um magnífico exemplo de co-existência fraterna e mútua compreensão.
 Foto nr. 1: Nova Acrópole - "Na demanda do simbolismo esotérico da arte manuelina", saída cultural guiada por Paulo Loução (28/05/2006).
Princípios orientadores
Para o professor Livraga, o ritmo acelerado das nossas cidades, a falta de contacto com a Natureza, a artificialidade das nossas relações e comunicações, as metas efémeras e utilitárias, entorpecem a alma humana. Daí, através da Nova Acrópole, empenhou-se em despertar o Homem da sua letargia a fim de que cada qual possa manifestar, autenticamente, o seu sentir interior.
O despertar que a Nova Acrópole pretende baseia-se em princípios de união inspirados em formas de pensamento tais como o pitagorismo, o neoplatonismo, a teosofia, etc., que na sua época proporcionaram relevantes avanços na civilização. Da carta de princípios da Nova Acrópole constam os seguintes objectivos:
Reunir os Homens e Mulheres de todas as crenças, raças e condições sociais em torno de um ideal de fraternidade universal (Fraternidade entre todos os Homens é a união para além das diferenças. O respeito pelas diversas identidades e tradições faz com que cada um, por sua vez, se sinta cidadão do mundo).
Despertar uma visão global através do estudo comparado da Filosofia, das Ciências, Religiões e Artes (Convivência entre as culturas é a prática da tolerância, através de uma cultura integral, que permite relacionar todos os campos da criatividade e do pensamento. Esta integração torna compatível e complementar o que de início parecia oposto. Harmoniza pessoas, ideias e sentimentos novos e diferentes, dentro de um conjunto social mais rico e mais aberto).
Desenvolver as capacidades do indivíduo para que possa integrar-se na Natureza e viver segundo as características da sua própria personalidade (O ser humano está integrado na Natureza e tem um potencial que ele próprio desconhece. Assim, as suas possibilidades de desenvolvimento são quase ilimitadas).
 Foto nr. 2: Nova Acrópole - "Na demanda do simbolismo esotérico da arte manuelina", saída cultural guiada por Paulo Loução (28/05/2006).
Áreas de actividade
De acordo com a visão da Nova Acrópole, a cultura não pode ser vivida nem transmitida sem uma educação integral que active as dimensões do indivíduo em benefício do conjunto. As diversas actividades que a Nova Acrópole realiza têm por isso como denominador comum o exercício de uma missão educativa, através de uma pedagogia do exemplo, "a única linguagem universal que todos os homens compreendem", como muito bem assinalou o professor Livraga.
Para viver o presente com projecção de futuro, a Nova Acrópole dá à Filosofia um sentido clássico: prático e activo e não apenas intelectual ou contemplativo. Ou seja, há que viver o que se aprende e aprender do que se vive.
O programa de estudos da Escola de Filosofia à maneira clássica abarca os mais importantes sistemas de pensamento do Oriente e do Ocidente, com as suas propostas práticas, para que o ser humano possa canalizar as suas potencialidades de forma eficaz. Aplica os valores humanos essenciais e as qualidades intemporais que constituíram o suporte de todas as civilizações.
Esta filosofia activa desenvolve a capacidade do domínio de si próprio, pacifica o espírito e actua de acordo com o que a nossa razão e consciência podem captar da harmonia do mundo. Dessa forma concilia sentimento, pensamento e acção e ensina a pensar por si próprio e a decidir livremente.
A prática da filosofia abarca todo o leque da existência humana; serve para dar um sentido à vida e não deixar-se levar por ela. É importante aprender através da prática: só a experiência como vivência produz mudanças profundas. Para actuar na sociedade há que conciliar a vida individual e a vida colectiva. Mas também compartilhar experiências com os outros. Para tal, surgiram os grupos masculinos e femininos: autênticas Forças Vivas ao serviço da sociedade e do mundo circundante.
A escola de filosofia da Nova Acrópole aborda o tema da sabedoria viva das antigas civilizações, com um carácter introdutório às principais ideias e vivências proporcionadas pelas várias correntes de pensamento ao longo da História da humanidade. Da Índia Védica ao Budismo Tibetano, de Confúcio ao Egipto, de Platão a Plotino passando por Aristóteles. Um vasto conjunto de temas que, mais do que acrescentar conhecimentos, permitem aceder a algumas das chaves para entender o ser humano e o mundo.
 Foto nr. 3: Nova Acrópole - "Na demanda do simbolismo esotérico da arte manuelina", saída cultural guiada por Paulo Loução (28/05/2006).
O fundador, Jorge Angel Livraga Rizzi
Jorge Angel Livraga Rizzi nasceu em Buenos Aires, Argentina, a 3 de Setembro de 1930 e faleceu a 7 de Outubro de 1991 em Madrid. A sua mãe, Victoria Rizzi, e o seu pai, Angel Livraga, um engenheiro industrial, eram de ascendência italiana. Ambas as famílias eram de origens humildes que tinham emigrado para a Argentina no final do século XIX. Esta ascendência familiar permitiu-lhe, mais tarde, obter a nacionalidade italiana.
A morte precoce do seu pai, quando tinha apenas 15 anos, mergulhou-o numa profunda crise que o levou a interessar-se pela filosofia esotérica. Entrou em contacto com Sociedade Teosófica Argentina onde mergulhou nos estudos de História das Religiões e Simbolismo, coincidindo com o seu curso na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires. Simultaneamente, o seu interesse pela História, Arqueologia e Arte levou-o a fazer estes cursos na mesma Universidade. Cultivou a poesia e, em 1951, ganhou o Prémio Nacional de Poesia Argentina com o seu livro “Lotus”.
Em 1956 fundou a revista “Estudos Teosóficos” que visava tornar os trabalhos de H. P. Blavatsky mais largamente conhecidos entre os estudantes universitários, fazendo um estudo comparado com as novas descobertas científicas do século XX. No ano seguinte, sob instrução do célebre teósofo Sri Ram, deu um passo mais ao criar “Nova Acrópole”, uma associação projectada para promover a Filosofia entre os jovens, na linhas das Escolas de Filosofia à maneira clássica, tais como a Academia de Platão e a Escola Neoplatónica. “Nós sabemos que a humanidade possuiu um imenso tesouro de Sabedoria, que foi escondido e esquecido e que permanece ao alcance dos jovens. Uma Sabedoria que fornece respostas sobre o sentido da vida e caminhos que a sociedade – o mundo em nosso redor – pode implementar”, referiu numa ocasião.
Poucos anos mais tarde, a vocação internacional da Associação conduziu-o ao primeiro centro fora da Argentina, em Montevideu, Uruguai. Esta primeira etapa, que rapidamente foi seguida por outras, levou Nova Acrópole para outros países no continente Americano, tal como México, Peru, Chile e Venezuela. Em 1972, o prof. Livraga decidiu levar o seu ideal filosófico até à Europa, primeiro para Espanha e depois para França e Reino Unido. Nova Acrópole continuou a expandir-se até ao presente, estando actualmente em cerca de cinquenta países da Europa, América e Ásia.
Pode-se dizer que a vida e o trabalho de Jorge Angel Livraga estão intimamente ligados com o movimento que ele fundou. Concentrou-se em estabelecer uma bem desenvolvida e rigorosa base de conhecimento, uma síntese dos grandes sistemas de pensamento enraizados nas variadas civilizações e culturas da História. Foi um incansável viajante e visitou regularmente os países onde a Associação tinha sedes, promovendo actividades culturais, dando aulas, escrevendo artigos e entrando em contacto directo com uma larga variedade de pessoas.
A sua principal preocupação foi assegurar que este tesouro de conhecimento fosse aplicado de uma forma prática, propondo a filosofia como uma via de acesso vivo para todas as pessoas de diferentes mentalidades e de vários extractos sociais em todo o mundo. Neste sentido, costumava definir a sua tarefa como a criação de um “módulo de sobrevivência”, ajudando a nutrir um indivíduo melhor que, assim, poderá construir um mundo melhor. As barreiras que costumam separar os seres humanos e colocá-los em confronto, como a violência, dogmatismo, racismo e exclusão de todos os géneros, deixariam de fazer os seus efeitos devastadores se outra forma de vida fosse promovida, tolerante e educada, firmemente baseada numa sólida educação filosófica, capaz de despertar as qualidades latentes que dormem dentro de cada ser humano.
 Foto nr. 4: Nova Acrópole - "Na demanda do simbolismo esotérico da arte manuelina", saída cultural guiada por Paulo Loução (28/05/2006).
E as suas obras
A intenção de fazer chegar o conhecimento e a filosofia a todo o género de público preside às obras de Jorge Angel Livraga, com uma clara intenção pedagógica. Daí que uma boa parte da sua produção intelectual consista na recompilação das suas aulas e conferências ditadas sobre os mais variados temas, ainda que sempre com um fio condutor: a necessidade de despertar a consciência individual em cada ser humano, a responsabilidade de fazer um mundo mais justo e solidário, onde todos tenham acesso à educação e à cultura. Jorge Angel Livraga reflecte sobre o momento histórico que lhe coube viver e proporciona argumentos para exercer a liberdade de pensamento e a autonomia do indivíduo perante as manipulações e os enganos dos poderosos. “Magia, Religião e Ciência para o Terceiro Milénio” é o título da recompilação das suas conferências, reunidas em quatro tomos.
No seu primeiro grande labor literário trabalha o género da narrativa histórica, o seu primeiro romance que é “Ankor, o discípulo” no qual conta as peripécias de um jovem aspirante à sabedoria oculta, no ambiente imaginado dos momentos prévios ao afundamento de Poseidonis, o último vestígio da mítica Atlântida, segundo os diálogos de Platão. Nesta obra da juventude, Livraga verte os ensinamentos que ele mesmo recebera durante a primeira etapa da sua formação filosófica. Volta ao género da narrativa histórica em “O Alquimista”, obra que recria o ambiente das fraternidades secretas que surgem na Europa do século XVI, ao mesmo tempo que constitui uma defesa apaixonada da liberdade de pensamento.
A explicação dos fenómenos da Natureza resume o conteúdo de uma das suas obras mais traduzidas: “Os Espíritos Elementais da Natureza”. E esta intenção de explicar os fenómenos da Natureza estende-se a todo o âmbito da Filosofia Tradicional na “Introdução à Sabedoria do Oriente”, verdadeiro guia para aqueles que querem iniciar o seu caminho na busca do conhecimento que subjaz mais além de todos os fenómenos, das diferentes formas de pensamento e religiões. Nesta linha pedagógica enquadra-se “Cartas a Delia e Fernando”, uma série de diálogos mantidos com dois dos seus discípulos mais directos sobre as inquietações que provoca na juventude o adoptar o ponto de vista filosófico, com o enfoque original do fundador de Nova Acrópole.
A observação dos fenómenos do nosso tempo encontra a sua forma em dois trabalhos singulares. Um deles, “Os Mitos do Século XX”, é uma análise das grandes palavras com as quais se justificaram muitos desaforos, injustiças e contradições, assim como um convite a entrar no século XXI com maior independência e liberdade de critério. Em “Moassy, o cão” incide nessa critica mediante o recurso à ficção protagonizada por um cão com aspecto de homem que enfrenta as irracionalidades humanas utilizando a sua lógica simplicidade canina.
O arqueólogo e estudioso da civilização egípcia escolhe Tebas, a milenária capital do Império Médio, para interpretar alguns dos contributos daquele mundo, distante e ao mesmo tempo próximo, pois, como diz o autor um tanto enigmaticamente, “Tebas é um estado de consciência”.
Para penetrar na alma grega, Livraga escolhe o tema dos géneros teatrais e analisa assim “O Teatro Mistérico: a Tragédia”. A expressão teatral serve para aprofundar a realidade da alma e desvelar algumas das suas chaves, sempre à busca da grandeza que, como herói interior, todo o ser humano guarda em si mesmo. Este era o primeiro livro de uma série de estudos que deixou inacabados.
Estas obras foram traduzidas em numerosos idiomas: francês, inglês, português, grego, russo, turco, checo e alemão, entre outros.
 Foto nr. 5: Nova Acrópole - "Na demanda do simbolismo esotérico da arte manuelina", saída cultural guiada por Paulo Loução (28/05/2006).
Contactos
Nova Acrópole Portugal - Filosofia Activa
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Web: www.nova-acropole.pt
Tel: 938 800 855, E-mail: lisboa@nova-acropole.pt
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