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A Comissão Pró-Desenvolvimento de Agualva-Cacém (CPDAC), criada em Maio de 2005, aparece com uma dinâmica e uma força que em muito dignifica a designada cidadania pró-activa. A CPDAC pretende ser "um espaço credível de cidadania, com espírito construtivo, objectivado pela inovação e abertura de caminhos conducentes à cooperação na melhoria da qualidade de vida da população da cidade". E, tanto quanto nos parece, está no caminho certo...
Cidadania em prol da qualidade de vida
A Comissão Pró-Desenvolvimento de Agualva-Cacém é constituída pelos cidadãos Jorge Manuel Cabrita Trigo (técnico superior autárquico), Luís Miguel Morgado Baptista (jornalista), João de Freitas de Castro Simões (empresário), José Manuel Vargas (professor) e António Manuel Páscoa Grosso (professor).
A sua atenção tem estado centrada, em particular, na preservação de dois edifícios devolutos que se revestem de especial interesse, no plano da preservação da história do património local, defendendo, a propósito, a sua conversão em infraestruturas sócio-culturais: a casa do republicano Ribeiro de Carvalho, no Cacém, integrada na Quinta da Bela Vista, e a Quinta da Fidalga, sita no Largo da República, em Agualva.
Além disso, tem vindo igualmente a acompanhar a evolução das obras do Polis do Cacém, manifestando-se apreensiva com os atrasos verificados na construção da nova estação ferroviária, obra a cargo da REFER.
Ainda ao nível do mesmo projecto, a CPDAC defende ideias e propostas de intervenção que possam fazer da futura centralidade de Agualva-Cacém um local onde a modernidade conviva com a tradição.
Preservação do património em destaque
A recuperação da casa de Ribeiro de Carvalho, actualmente num triste estado de abandono e na iminência de ruína, constitui um dos cavalos de batalha da CPDAC, conforme amplamente divulgado através de vários artigos publicados na imprensa sintrense, merecendo especial destaque o jornal digital Alvor de Sintra, o qual tem realizado, em defesa do património, da cultura e da memória de Sintra e dos sintrenses, uma cobertura jornalística deste assunto que consideramos, pela sua qualidade e isenção, exemplar.
Ribeiro de Carvalho foi um republicano destemido e influente em Portugal. Exerceu a função de deputado e participou na formação de governos da I República. Paralelamente, destacou-se como presidente do Senado de Sintra. O seu nome está igualmente associado à fundação da Associação dos Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém. Jornalista de profissão dirigiu, sabiamente, o jornal República, do qual também chegou a ser proprietário.
A antiga casa do ilustre republicano pertence actualmente a um construtor civil. Neste momento, decorre o processo da sua classificação como imóvel de interesse concelhio. Registe-se, a propósito, que o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) esteve com o processo na gaveta durante cerca de uma década. Só recentemente, considerou que o imóvel em questão não teria interesse nacional (não podendo por isso ficar a sua requalificação sob a responsabilidade do Polis), remetendo o assunto da classificação para a Câmara de Sintra.
A comissão lamenta, por exemplo, que a casa de Ribeiro de Carvalho (uma das personalidades ilustres da cidade) não tenha sido abrangida pelo Polis, apesar da Quinta da Bela Vista, propriedade da Câmara Municipal onde se insere o antigo edifício de habitação, estar a ser convertida, ao abrigo do mesmo projecto de requalificação, num novo parque urbano. Em declarações ao Alvor de Sintra, Jorge Trigo, coordenador da CPDAC afirma que "causa alguma estranheza como, na programação das obras do Polis, não foi ponderada a verdadeira barreira que representa a moradia, nas actuais condições de degradação, num espaço que se deseja equilibrado do ponto vista paisagístico", reforçando a ideia de que "tem havido pouca sensibilidade para resolver o assunto".
Jorge Trigo, referindo-se à degradação da casa de Ribeiro de Carvalho, considera "lamentável o estado em que ela está" e sublinha que a mesma "chegou a este ponto fruto do desleixo, fruto de incapacidades, de impotências de entidades que possivelmente deveriam ter feito mais, mas que admite-se que não puderam fazer, por um conjunto de circunstâncias". Segundo o Alvor de Sintra, a entidade mais criticada pela CPDAC é o IPPAR, "porque só se preocupa com o aspecto arquitectónico e não se preocupa com outro aspecto, que é tão importante como este ou mais, que é o aspecto histórico. Muitas vezes um edifício pode não ter grande interesse arquitectónico mas ter o interesse de quem lá viveu e estar ligado a uma história muito rica".
A CPDAC propõe que a referida casa seja transformada em pólo cultural e dotada de necessitados espaços, tais como um pequeno auditório, uma sala para exposições e um núcleo museológico "que pudesse ter duas ou três salas com o espólio de Ribeiro de Carvalho que a própria família está disponível para doar". Para Jorge Trigo, este imóvel tem importância histórica e simbólica, justificando que nele estão as "raízes", mas que se podem perder porque a "casa está em risco de desaparecer". E alerta: "A recuperação ainda é possível, mas dentro de pouco tempo torna-se problemática".
Outro imóvel de interesse concelhio
Para além da casa de Ribeiro de Carvalho, a Quinta da Fidalga, edifício solarengo do século XVIII, é outro monumento que a CPDAC gostaria de ver requalificado, sendo igualmente de registar o risco da sua degradação, dia-a-dia. A comissão cívica sugere para este edifício emblemático do vulgarmente designado Largo d' Agualva, a instalação de diferentes serviços, como por exemplo a Junta de Freguesia de Agualva, uma galeria de exposições, um auditório, uma delegação da Câmara de Sintra, a Conservatória do Registo Predial e um espaço museológico dedicado a Matias Aires, filósofo português que residiu na Quinta da Fidalga. De acordo com o Alvor de Sintra, Luís Miguel Baptista, membro da CPDAC, entende que o imóvel tem condições para acolher uma nova esquadra da Polícia de Segurança Pública (PSP), "melhoramento há muito reclamado para a cidade, face às condições pouco dignas das actuais instalações daquela força de segurança".
Do ponto de vista da CPDAC, a Quinta da Fidalga e a já citada Quinta da Bela Vista são duas referências arquitectónicas da cidade de Agualva-Cacém e dois testemunhos de uma terra com história, o que importa valorizar eficazmente.
Para esse efeito, argumenta a comissão, bastaria que a Câmara Municipal de Sintra adquirisse os dois espaços, tendo em vista múltiplos fins: a preservação do património, o impedimento da invasão imobiliária e a criação de espaços indispensáveis à ocupação dos tempos livres da população, visando o convívio e o conhecimento, além da melhoria da rede de serviços públicos.
Para uma intervenção cívica construtiva e cooperante
Representantes da Comissão Pró-Desenvolvimento de Agualva-Cacém (CPDAC) reuniram no passado mês de Abril com o presidente da Junta de Freguesia de Agualva, Rui Castelhano, para apresentação dos fins cívicos que presidiram à constituição da mesma.
Na circunstância foram também abordadas as acções empreendidas pela CPDAC, com destaque para a recolha de assinaturas tendente à salvaguarda da Quinta da Fidalga, levada a efeito no ano passado. Sobre este assunto, os representantes da CPDAC solicitaram informações ao autarca e expressaram a sua intenção em estabelecer uma estratégia concertada, no âmbito de vários sectores, com a Junta de Freguesia de Agualva.
Por sua vez, o presidente Rui Castelhano congratulou-se com a existência da comissão e manifestou-se interessado na promoção de desafios conjuntos que confiram vida e dinâmica à freguesia. A CPDAC saldou a reunião como bastante positiva e registou a disponibilidade de Rui Castelhano e do executivo autárquico como um incentivo na programação de acções futuras.
Entretanto, realizaram-se também reuniões com os presidentes das juntas de freguesia do Cacém e de Mira-Sintra, José Faustino e Rui Pinto, respectivamente, as quais se revelaram igualmente frutuosas, abrindo boas perspectivas à realização de trabalho conjunto em prol do desenvolvimento.
Brevemente, será solicitada reunião ao presidente da Junta de Freguesia de São Marcos, Nuno Anselmo.
Mais vale prevenir do que remediar
No que respeita às intervenções do Polis do Cacém, a Comissão Pró-Desenvolvimento de Agualva-Cacém revelou, ao Alvor de Sintra, preocupação "com a arrastada afectação de várias bocas-de-incêndio de alguns edifícios de habitação na área de intervenção, perante obras de transformação na rede de abastecimento de água", por estas estarem ligadas, ao longo do dia, a uns tubos que bombeiam água para utilização nas obras, o que prejudica a segurança em caso de emergência.
Luís Miguel Baptista, responsável pelos assuntos da área da segurança, alerta para a necessidade da "permanente operacionalidade" daqueles equipamentos, fazendo notar que "compreende-se a necessidade de recorrer a soluções alternativas, durante o período das obras, todavia, tais pontos de água destinam-se, em exclusivo, ao serviço de incêndios, pelo que se impõe a sua permanente operacionalidade para fazer face a qualquer situação anómala que possa surgir".
Porque a comissão defende uma acção abrangente em matéria de desenvolvimento, a CPDAC está apostada em gerar novas dinâmicas no domínio da segurança, muito especialmente no que se refere à componente preventiva dos incêndios urbanos, tendo em conta as características da cidade de Agualva-Cacém e os consequentes factores de risco. Isto de harmonia com o princípio doutrinário da protecção civil que confere a todos os cidadãos conscientes e solidários, em complementaridade do papel exercido pelo Estado, a tarefa de promover uma cultura de segurança.
"Queremos, sem a intenção de substituir seja quem for, mas antes numa postura de cooperação, contribuir para a formação de uma nova consciência colectiva, apostando nas componentes preventiva e educativa", sublinha Luís Miguel Baptista. Segundo ainda este responsável "há todo um conjunto de procedimentos, consubstanciados em medidas de autoprotecção, que podem evitar ou minimizar os efeitos dos acidentes que estão na origem dos incêndios urbanos, os quais, em larga percentagem, estão associados a descuidos domésticos".
Património gastronómico ganha nova expressão
Uma das conquistas recentes da CPDAC foi a retoma do fabrico do bolo tradicional local ("Agualvas"), a qual se deveu à sua sensibilização, num contexto da preservação do património (gastronómico) local, junto da gerência da pastelaria "Mina dos Amigos".
De acordo com a folha informativa da CPDAC, este bolo, que faz parte da carta gastronómica do concelho de Sintra, estava em risco de desaparecer porque o único estabelecimento que mantinha a sua venda - "Capri", no Cacém-de-Baixo - foi encerrado ao público devido às obras do Programa Polis.
Assim, a população da cidade pode apreciar novamente esta especialidade, outrora fabricada pelos Irmãos Unidos e vendida por ocasião da Feira de Agualva. Os "Agualvas" estão agora à venda todas as sextas-feiras na pastelaria "Mina dos Amigos", situada na Avenida dos Bons Amigos.
Visitas de trabalho e cultura geram dinâmica
O núcleo central de Agualva, a caminho do Largo da República, a Anta de Agualva e o Moinho de Mira-Sintra, são alguns dos locais que vão fazer parte de um programa de visitas a efectuar CPDAC nos próximos meses.
Avaliar as condições de diferentes realidades, susceptíveis de propostas de melhoria, é uma das funções destas visitas, além de habilitar a CPDAC com maior conhecimento de causa sobre problemáticas locais. A ronda é aberta a todos quantos tenham interesse pelos assuntos da cidade e pretendam colaborar com a comissão. Está prevista, também, em cada visita, uma incursão pela história dos locais de passagem.
E o futuro?
A Alagamares - Associação Cultural, sempre atenta aos acontecimentos que vão marcando a actualidade sintrense, saúda o aparecimento da Comissão Pró-Desenvolvimento de Agualva-Cacém (CPDAC), iniciativa que considera de alto valor pelos princípios de intervenção cívica construtiva e de cidadania pró-activa em que se baseia, e deseja-lhe as maiores felicidades para o futuro.
Contacto:
Comissão Pró-Desenvolvimento de Agualva-Cacém
E-mail: desenvolvimento.agualvacacem@gmail.com
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E ainda, na imprensa:
Colóquio, em Agualva-Cacém, "Pensar Segurança" prepara população para a Protecção Civil (Alvor de Sintra, 11.05.06)
Exposição sobre Ribeiro de Carvalho relembra degradação da casa do republicano (Alvor de Sintra, 28.03.06)
Biografia do republicano Ribeiro de Carvalho apresentada em Lisboa (Alvor de Sintra, 18.03.06)
Casa Ribeiro de Carvalho em risco de desaparecer (Alvor de Sintra, 23.01.06)
Escolas dão a conhecer Ribeiro de Carvalho (Notícias da Amadora, 26.01.06)
Download (folha informativa nr. 2): CPDAC-Desenvolver-MaiJun06.pdf (614 kb).
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