Painel de Administração
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| Carlos da Maia volta a Sintra |
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| Quarta, 22 Setembro 2010 14:22 |
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Pequena história da autoria de Fernando Morais Gomes Carlos da Maia e Cruges voltaram por estes dias a Sintra, desta vez não de break mas de comboio.Ao saírem da estação,apressaram-se na direcção da Vila e logo depararam com os logradouros do Larmanjat imundos de lixo e ao abandono. -Como isto mudou, Carlos- disse Cruges, abismado, e logo apossado dum sentimento de tristeza. -Deve ser por causa de alguma greve- acautelou o amigo, dando o benefício da dúvida. Seguiram para a Vila, onde já fecharam as termas,em busca do velho Hotel Nunes. Mas no local,em vez de um estavam dois hotéis:o Tivoli, semelhante aos prédios por onde o comboio passara na antiga Porcalhota e o Netto. Que se teria passado?Novo terramoto e nada avisaram para Lisboa? Pois que cenário dantesco de ruína, só apetecível para algum dramalhão do Garrett ou uma ópera daquele rapaz, o Wagner, sempre atraído por tragédias. Ali se encontraram com o Eusébiosinho, mais obeso que antes, e o Palma Cavalão que passeavam com duas espanholas -Pois por cá?-atirou com tom malandro Carlos da Maia.Os meus amigos estreitam laços ibéricos?... -Meu caro, nem queira saber.Fomos à Regaleira, é coisa nova, que da outra vez não tinha ainda sido construída pelo Monteiro, o homem enriqueceu e deu-lhe para se armar em cenógrafo, mas estacionar, nem pensar. Parece dia daquele jogo que agora se popularizou, o foot-ball -E las viviendas, por supuesto, tan preciosas pero tan maltratadas-logo rematou a Lola, agarrando o braço do Palma. -É como lhe digo, Eusébio, isto mudou muito,mas há muita coisa a precisar de reparação. Isto quer é um Fontes!-elevou a voz o Palma, beliscando o traseiro da Lola. Passando pela cascata dos Pisões, coberta de eras e musgos, apareceu Tomás de Alencar, o poeta romântico que fora amigo de Pedro da Maia, pai de Carlos, e que acedeu a ir a Seteais com eles, recordando os tempos lá passados Na mesma estrada, em direcção ao palácio, olhando a Quinta do Relógio, do velho Monte Cristo, a mesma também estava fechada e abandonada. -Parece que vão comprar isto.Será para algum hotel?-questionou o Cruges. -Olhe, cá pra mim eu abria era um centro artístico, era bom para você compor novas músicas- alvitrou o Eusébiosinho. -E podia pedir apoio ao Paes do Amaral, ele vai mudar-se para cá, sabia. Isto os negócios do tabaco.Vai dali sair uma verdadeira mansão! -Agora já não é tabaco.Você não lê jornais, ó Eusébio?-disse Carlos. Na verdade,ao chegarem a Seteais , Cruges sentiu-se desiludido com o que observou,duma pequena casa nascia um solar imponente, mas o Alencar, alheado,deu em contar histórias e a recitar poemas que logo a beleza de Sintra fez valor a sua exuberância. No lugar onde antes tinham partido para fazer uma burricada ao palácio, decidiram ir ver o novo bairro da Estefânea, em carruagem. Foram os cinco, sem Carlos, que foi saber de Maria Eduarda, na verdade, o verdadeiro motivo da sua vinda a Sintra. Mal chegados, cenário caquético: chineses vendendo traquitanas, casas em ruínas, lixo transbordando de contentores e esvoaçando qual ciclone e tudo arrastando, Bancos por todo o lado. Era engano com certeza. -Diga-me amigo, nós queríamos ir era ao bairro novo, o dedicado à rainha D.Estefânea…-atalhou o Cruges,puxando o braço do carroçeiro. -E onde pensa vomecê que está?É memo aqui! -Pois….-disse o Cruges, abanando a cabeça, conformado. -Olhem, sabem que mais?Vamos mas é para Lisboa, que há coisas novas para o lado da R. dos Condes. E retornando à Vila, pegaram Carlos da Maia, que procurava romper no meio dos turistas, e volveram à capital. Ao longe, a silhueta milenar dos Mouros parecia dizer adeus, mas esta era do mundo de Deus. Do mundo dos homens muito mudara em Sintra. Coisas boas e coisas novas, mas as novas não eram boas e as boas não eram novas. -Isto quer é um Fontes!-ainda repetiu já na carruagem o Cruges.
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