Painel de Administração
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| Antes que começe a época de incêndios... |
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| Segunda, 13 Junho 2011 15:34 |
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2011 é o Ano Internacional da Floresta, e aproximando-se a época de incêndios( agora que se criou a infausta saison de fogos assassinos) algumas preocupações, antes de os noticiários começarem a abrir com as tradicionais notícias dos fogos, os remoques pela falta de limpeza das matas e as lágrimas de crocodilo sobre o sangue derramado. 2003 e 2005 foram anos anormais, e depois de algum trabalho feito nas estruturas nos anos seguintes, fala-se na extinção da Direcção Nacional para a Defesa da Floresta, e técnicos conceituados, como Francisco Castro Rego e António Salgueiro temem por retrocessos depois de com o projecto europeu Fire Paradox se terem definido algumas orientações estratégicas desde 2006. Segundo eles, é de temer o pior com o cancelamento do projecto do Grupo de Especialistas de Fogo Controlado (GeFoCo) que desde 2007 terão contribuído para conter mais de 50 fogos florestais, a tentativa de acabar com o Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF) estrutura dedicada à prevenção e combate aos incêndios florestais, que nos últimos cinco anos combateram mais de 300 grandes incêndios, e a tentativa de suspender a regulamentação sobre o uso de fogo técnico. Igualmente ao pretender-se parar o processo de enquadramento e facilitação da realização de queimadas para a pastorícia em épocas de baixo risco de incêndio e ao não se prosseguir o investimento em conhecimento, estratégia e antecipação, transferindo 2 milhões de euros do Fundo Florestal Permanente para a contratação de meios aéreos para o combate estarão em estudo soluções que podem não ser as mais adequadas ao caso português. Como estamos de Plano Nacional de Uso do Fogo? Quantos meios estão ao dispor? Qual a estratégia de longo prazo? O Verão está aí, e com ele as brutais imagens do fogo destruindo floresta, ecossistemas e a economia.Com troika ou sem troika, assuntos suficientes para incendiar responsabilidades e alimentar telejornais quando o país estiver a banhos e o futebol no defeso. A ver vamos... Efectivamente, é bonito falar da floresta, do pinhal de Leiria, da serra de Sintra ou do Gerês. No terreno da realpolitik o que sucede porém? Parece que a dois anos do fim do quadro comunitário apenas 1/10 dos 441 milhões de euros disponíveis foram executados, numa área intervencionada de 5478 hectares. A regulamentação das medidas previstas no PRODER é lenta e desde 2007 só foram reflorestados 2700 hectares, quando nos anos noventa períodos houve em que num só ano a reflorestação ultrapassou 30 mil hectares, dos quais 681 de carvalho e 341 de pinheiro, quando anualmente mais de 3,5 milhões de hectares são assolados pelos fogos. Segundo o PRODER a 31 de Dezembro de 2010 estavam aprovados 812 projectos, num total de 135 milhões de euros, mas apenas 5 milhões estavam pagos. No domínio da gestão de espaços florestais, os projectos aprovados correspondiam a 24% da dotação global. Tal ficar-se-á a dever ao prolongado período de regulamentação do PRODER, que- pasme-se!- só terá ficado concluída em 2008. Que andou o Ministério da Agricultura a fazer? Alem de que estão a ser exigidos no âmbito de processos altamente burocráticos planos de gestão florestal que cada agricultor candidato deve apresentar, planos esses que os próprios serviços não definiram o que querem que sejam nem têm tido capacidade para os analisar. Regresso à agricultura? Sim, mas assim não. |