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Festas de N.S.do Cabo Espichel Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 25 Setembro 2010 05:03

Decorrem em Sintra, na freguesia de Santa Maria e S.Miguel as tradicionais festividades dedicadas a Nossa Senhora do Cabo Espichel, e a propósito a Alagamares falou com o juíz das mesmas,o dr.Francisco Hermínio Santos.Leia aqui a entrevista.

                       

ALAGAMARES- Temos connosco o Dr.Francisco Hermínio Santos, juiz das festas de Nossa Senhora do Cabo Espichel, que 25 anos depois regressam à freguesia de S.Maria e S.Miguel, em Sintra. Dr.Hermínio, pode explicar-nos um pouco as origens do culto da Nossa Senhora do Cabo Espichel?

HERMÍNIO SANTOS-Há 3 lendas a propósito do culto a Nossa Senhora do Cabo Espichel. Uma delas diz-nos que houve um naufrágio no Cabo Espichel, e que a imagem que a nau trazia foi depois encontrada no cimo do promontório. Outra lenda refere que lenhadores da zona teriam avistado Nossa Senhora e assim criaram o culto a N.S.Cabo Espichel. Mas também há outra lenda que afirma que houve uma visão de uma idosa de Alcabideche e um saloio da Caparica, que tiveram uma visão e se puseram a caminho do Cabo Espichel, onde se encontraram e aí criaram o culto a Nossa Senhora do Cabo. A partir destas aparições, houve grupos de devotos que se deslocavam ao Cabo Espichel para adorar Nossa Senhora do Cabo, até que um pequeno grupo construiu uma capela de jasmim, muito precária, e mais tarde outro grupo erigiu a Igreja da Memória, que ainda hoje existe no Cabo Espichel. Passados dois séculos foi erigida a actual igreja, e depois os abrigos para os romeiros que se deslocavam ao Cabo Espichel, romeiros da zona norte de Lisboa, mas também da margem sul, que todos os anos iam em romagem ao Cabo Espichel. Durante alguns anos, algumas freguesias do norte do Tejo levavam a imagem, e outra freguesia e outra freguesia ia receber a mesma imagem. Mais tarde combinaram entre si organizar um giro, e a imagem passou a percorrer 30 freguesias. Hoje são 26, porque 4 transitaram para o círio de Nossa Senhora da Nazaré, e combinaram fazer um giro que tem como cabeça Alcabideche e como términus Santa Maria e S.Miguel. Portanto, para o ano entregamos a imagem a Alcabideche que inicia um novo ciclo de 26 freguesias. Desta vez a imagem é recebida nesta freguesia ao fim de 25 anos, porque neste ciclo houve uma freguesia que não a realizou, e passou para outra.

         Cartaz dos festejos de 1959

ALAGAMARES-E porque é que as freguesias do concelho de Sintra surgem associadas aos festejos? Existe alguma razão histórica ou etnográfica para Sintra estar incorporada num circuito que tem sobretudo a ver com o Cabo Espichel?

HERMÍNIO SANTOS-O culto de Nossa Senhora do Cabo Espichel alargou-se por uma área muito significativa tanto do norte como do sul do rio Tejo, e as freguesias do norte eram muito devotas da Nossa Senhora do Cabo, daí ter sido constituído um giro das 30 freguesias, mais tarde 26,pois a freguesia dos Olivais ainda se integrou num giro, mas mais tarde desistiu. A participação do saloio de Alcabideche fez com que tivesse havido uma agregação das freguesias da zona norte do Tejo, que incluem 3 freguesias de Lisboa, outras de Sintra, Oeiras, Loures, Odivelas e Mafra.

ALAGAMARES-E estamos a falar de uma tradição com quanto tempo?

HERMÍNIO SANTOS-Pelo menos desde 1463,mas o giro inicial coube a Alcabideche.

ALAGAMARES-E quais são os traços mais marcantes do culto e das festividades, tanto do ponto de vista litúrgico como secular?

HERMÍNIO SANTOS-Sob o ponto de vista litúrgico, o mais tradicional é o círio, a procissão de Nossa Senhora do Cabo Espichel de uma freguesia para outra. É claro que nos tempos que correm não é possível organizar o círio com coches, trens, anjos a cavalo, etc, por isso as freguesias optam por trazer a imagem até um ponto perto da igreja que a vai acolher, e depois fazer o círio tradicional num percurso de cerca de dois quilómetros. No nosso caso fomos buscar a imagem a Fanhões, e foi tudo organizado de modo a que a imagem viesse até S.Martinho e daí veio para a igreja de S.Miguel.

 Mas as festividades não passam só pelo círio. Há também as eucaristias. No dia 19 de Setembro esteve connosco D.Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, e no dia 26 de Setembro teremos o Sr.Cardeal-Patriarca a presidir à celebração eucarística. No dia 22 a imagem foi simbolicamente a casa de três doentes, um da freguesia de S.Maria e S.Miguel, outro da freguesia de S.Martinho e outro da freguesia de S.Pedro de Penaferrim, que constituem a unidade pastoral de Sintra, e neles simbolizar a unidade pastoral. No dia 21 celebrou-se o Dia da Pessoa com Deficiência, tendo algumas estado na igreja e lembradas no seu conjunto, dia 23 foi o Dia do Idoso, e a imagem foi a três centros de idosos, o Lar de Santo Agostinho, em Galamares, o Lar Cardeal Cerejeira em S.Pedro de Penaferrim, e o lar da  Liga dos Avós em S.Maria e S.Miguel acentuando a ideia de unidade pastoral.

ALAGAMARES-E no que reporta ao aspecto lúdico, o que está previsto?

HERMÍNIO SANTOS-Para alem do tradicional arraial, temos três exposições, uma sobre as festas da Nossa Senhora do Cabo no concelho de Sintra, outra sobre as realidades do concelho de Sintra, e outra de artes plásticas. Também os escoteiros montaram um campo escutista na zona do arraial. No arraial há uma zona de artesanato, outra de diversões, recinto para espectáculos e zona gastronómica, típica destes arraiais.

ALAGAMARES-Que traços distintivos nota nestas festividades nos últimos anos, no que respeita a fé e tradição?

HERMÍNIO SANTOS-Em termos de fé, a mesma mantém-se, as pessoas sentem a presença de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Quanto à organização, tivemos de a adaptar às realidades de 2010.Lembro, por exemplo, que quando tinha 13 anos integrei o círio como anjo a cavalo, e viemos de Belas até Sintra. Actualmente seria impossível  fazer esse percurso a pé. Mas a fé mantém-se muito viva.

 

Informação detalhada em

http://www.nscabo-sintra.net/docs/caderno_ApHist_VFinal.pdf