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Árvores de Sintra Versão para impressão Enviar por E-mail
Domingo, 23 Maio 2010 11:55

A Quercus-ANCN e a Associação Árvores de Portugal manifestaram recentemente a sua indignação pelo modo como têm estado a ser executadas as podas de centenas de árvores, na Vila de Sintra.
Os cortes nas copas e troncos das árvores foram incorrectos e privaram as árvores de todos os ramos que estavam já cobertos de folhas

          

           Acção de protesto contra a poda das tílias no Largo do Morais

 

A rolagem, ou seja, o corte de ramos com diâmetro superior a 8 cm, é desaconselhado pelos técnicos de arboricultura, como forma de efectuar uma correcta manutenção das árvores ornamentais. Esta prática reduz o valor patrimonial das árvores, diminui a sua longevidade e aumenta o risco de acidentes por originar pernadas com menor resistência.
No Largo 1.º de Dezembro em São Pedro de Sintra foram abatidas do ano passado até agora várias tílias centenárias, deixando o espaço completamente desolado, se bem que as vistas dos automobilistas tenham ficado bem mais alargadas.
Também em São Pedro (e um pouco por todo o concelho) as podas que têm sido efectuadas nas árvores mais não fazem do que deformá-las e criar pontos de fragilidade por onde irão apodrecer e obrigar, mais cedo ou mais tarde, ao seu abate.
A estrada de São Pedro para Sintra, a cada ano que passa, tem vindo a perder mais e mais árvores, abatidas sem se saber porquê ou com que objectivo.
No Linhó foram abatidos muitos choupos que constituíam um perigo para a saúde pública. À entrada da povoação, foi abatido um eucalipto centenário que se encontrava debilitado e que poderia ter sido tratado .Antes dele um outro fôra abatido anos antes e agora um outro teve o mesmo destino bem no centro da localidade.
Ainda no Linhó, foram abatidos há poucas semanas dois cedros que não aparentavam qualquer problema fitossanitário ou de bloqueio da visibilidade do trânsito.
Na estrada de Sintra para Colares têm sido abatidos plátanos enquanto que outros têm sido sujeitos a podas radicais que alteram o seu centro de gravidade e que os farão cair com qualquer vento menos moderado. Junto à Adega pintaram-se alguns plátanos com o intuito de serem estudados e por cujo futuro a população se encontra preocupada.
No Carrascal as podas às árvores junto à estrada chocam qualquer pessoa, o que demonstra a capacidade de resistência destas espécies a tanto maltrato, uma vez que parece ser uma prática recorrente.
Na Estrada de Sintra para a Pena e para o Castelo várias são as árvores cortadas ao longo do percurso, sem que a população saiba porque razões se fizeram tais abates. O mesmo se tem passado na Estrada para os Capuchos e em vários locais na Serra de Sintra. Restam à beira da estrada os tocos cortados rente ao chão mas que permitem conjecturar terem sido de grande porte.
Na Estrada de Chão de Meninos para Sintra também se procedeu a um desbaste de árvores deixando desolado um local anteriormente verdejante e exuberante de vida. Algumas das árvores restantes tiveram podas que as desequilibram e os terrenos ficaram sem o suporte das raízes das árvores e da anterior vegetação pondo inclusivamente em perigo a estabilidade da terra.
Sintra foi considerada Património Mundial na categoria de Paisagem Cultural e, de acordo com essa classificação é nosso entendimento dever valorizar-se não só o património instituído como o património arbóreo e natural que o envolve tal como o relacionamento das pessoas com essas duas vertentes.
As boas práticas arborícolas devem ser uma preocupação de todos, sendo que há um regulamento para a intervenção em árvores de Sintra que faz parte do Plano de Gestão da Paisagem Cultural de Sintra onde está explícita a forma de proceder nas podas.

Um grupo de sintrenses preocupados procedeu recentemente a uma acção de protesto "vestindo" as árvores podadas com peças de tricô,(foto acima) uma espécie de grafitti de protesto contra o ocorrido, sinal de pouca atenção ao património natural e à imagem lúdica desta nossa Sintra, afinal nem sempre tão romântica....