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Administração
O que é um agente cultural? Versão para impressão Enviar por E-mail
Sexta, 18 Dezembro 2009 04:24

Qual o alcance e conteúdo do papel e perfil de agente cultural?entendemos dar um contributo para a caracterização de tal figura que pode na sua concretização adoptar diferentes papéis e enquadramentos.

        

O agente cultural é um cidadão tanto no poder público como da sociedade civil, que se relaciona com as práticas e acções culturais. O agente cultural não é um mero "administrador" de actividades culturais, mas deve ter uma sensibilidade voltada para o sócio-cultural, exercendo activamente a sua função de elo de ligação entre o poder público e as comunidades. Deverá exercer o papel de gestor de processos culturais da Cidade, com capacidade inventiva e formadora de massa crítica

Assim, o agente cultural pode ser:

a)o dirigente cultural: é o servidor público investido de poder decisório na formulação e na gestão da política cultural do governo municipal ou de actividades que a compreendam. As actividades de formação de dirigentes culturais devem incluir, além dos conteúdos gerais de interesse para a formação de qualquer agente cultural, conteúdos destinados a ampliar  a sua capacitação para a gestão pública.


b) O servidor envolvido em acções culturais: nesta categoria enquadram-se aqueles que ocupam funções fundamentais para a implantação de acções e operação de programas culturais no município. É o caso dos animadores culturais, bibliotecários, utentes de biblioteca, coordenadores de oficinas etc. Estes profissionais requerem um trabalho de formação básica (comum aos demais agentes culturais) e actividades de formação específica para as funções profissionais que desempenham.


c) O produtor cultural da comunidade: são os membros da comunidade que possuem uma actuação profissional, semi-profissional ou amadora no campo cultural (artistas, artesãos, "agitadores" culturais etc.)


O papel do agente cultural estende-se para além da simples realização de actividades. Ele deve ser, antes de mais nada, um dinamizador das potencialidades culturais da comunidade onde actua. Isto significa actuar como incentivador, socializador e mobilizador das experiências dos grupos culturais locais. Deve agir como portador e organizador da memória colectiva, a partir de uma percepção do tempo cultural, e  a sua função é impulsionar as práticas culturais democráticas, abrindo os espaços públicos para as comunidades, informando e prestando contas das acções da política cultural do governo municipal.


A formação de agentes culturais públicos e comunitários coloca-se num contexto de novos requerimentos para o trabalho. Associados a novas habilidades que não se restringem a aprender um ofício ou uma profissão, mas a desenvolver actividades de relação entre grupos e pessoas, colocando a necessidade de o trabalhador da cultura entender não só sobre a produção cultural, mas saber lidar com processos culturais das cidades e das comunidades.

Há muita necessidade de formação nesta área e o poder público exerce um papel importante ao investir na formação de agentes que implementem uma política cultural articulada com uma política de cultura mais ampla para o município, principalmente devido à carência de informação sobre as possibilidades de se trabalhar com actividades e programas culturais nas pequenas e médias localidades.


Pela própria natureza da acção do agente cultural, o trabalho de formação deve -se preocupar em oferecer não somente conteúdos específicos voltados para a sua participação na acção cultural, mas também uma formação mais ampla, que lhe permita compreender e actuar face à complexidade da vida social e da dinâmica urbana. Essa formação básica deve compreender:


1. Entendimento dos processos urbanísticos culturais na cidade: o conhecimento da dinâmica e das intervenções urbanas; necessidade de colocar a cultura como uma preocupação no Plano Director Municipal.

2. Entendimento da inserção das cidades num processo global: a cidade não pode ser considerada isoladamente, mas num quadro de mundialização e a acção local deve ser tratada como impulsionadora de transformações globais; o agente cultural deve estar apto a unir o global e o local (‘glocal’)

3. Compreensão dos registros das várias culturas: na cidade circulam várias práticas (populares, de massa, "culta" etc) e discursos que precisam ser entendidos para se poder trabalhar com políticas culturais.


4. Entendimento das diversas artes: cada linguagem artística tem seu próprio modo de operação (teatro, música, literatura, artes plásticas etc.) e sem a compreensão das linguagens específicas o trabalho do agente cultural pode ficar incompleto.


5. Entendimento da multiplicidade cultural das comunidades: compreender os trabalhos culturais voltados para a dinâmica própria de cada comunidade.


6. Entendimento do papel político e social da cultura: a acção cultural e a política cultural devem ser dirigidas para a mudança de valores culturais e sociais.


7. Visão democrática da acção cultural: perceber a interligação do trabalho de democratização da cultura e da democracia cultural; considerar que é no campo que emergem direitos .


O trabalho de formação de agentes culturais deve produzir resultados de curto, médio e longo prazo. Na verdade, esses resultados são cumulativos: complementam-se e criam possibilidades para novos resultados futuros. É importante ter em mente essa variedade de prazos de maturação das actividades, para evitar ineficiência dos projectos ou frustrações.

A formação de agentes culturais, quando leva em consideração as necessidades e potencialidades específicas dos envolvidos, amplia sua aptidão para:


1. operar conceptualmente a temática cultural;


2. entender processos culturais do poder público e da sociedade civil (comunidades);


3. elaborar projectos culturais;


4. trabalhar com actividades culturais relacionadas às comunidades;


5.entender questões relacionadas com a Gestão Pública da Cultura

O desenvolvimento dessas habilidades melhora o desempenho dos agentes culturais e, portanto, torna-se mais eficaz e eficiente a acção cultural local. Entretanto, esses resultados não são únicos. A formação de agentes produz um impacto positivo no desenvolvimento da cidadania e é, também, elemento de valorização do ser humano, oferecendo aos cidadãos envolvidos a possibilidade de ampliar o seu horizonte cultural e de intervenção na sociedade.

Os resultados dos trabalhos e actividades desenvolvidos na área de cultura nem sempre alcançam visibilidade imediata, mas transparecem na melhoria do atendimento ao público que usufrui dos bens e dos equipamentos culturais da cidade e do município.