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Administração
Turbulência no mundo livreiro Versão para impressão Enviar por E-mail
Terça, 08 Dezembro 2009 15:08

Por “opções estratégicas”, o grupo alemão Bertelsmann está a avaliar a venda de todos os negócios que detém em Portugal, que incluem a rede de livrarias e editora Bertrand, o Círculo de Leitores e as editoras Pergaminho, Temas & Debates e Quetzal.Também a Bucholz atravessa o estertor final, como relata o nosso associado Ricardo Duarte

          


Segundo o "Diário Económico", a Bertelsmann já terá mandatado um banco de investimento internacional para encontrar comprador. Ao PÚBLICO, fonte oficial da empresa confirma a intenção de venda, mas diz ao mesmo tempo que “há a possibilidade de se manter tudo como até aqui”. A operação deverá ser decidida até Março do próximo ano.

A decisão de avançar para a venda dos activos da Bertelsmann em Portugal foi tomada em meados de Novembro. O grupo alemão, que em termos globais teve resultados operacionais de 284 milhões de euros no terceiro trimestre (mais 14 por cento face ao mesmo período de 2008) emprega em Portugal 650 trabalhadores.

 

Já  a Bucholz está em fase de liquidação total.

O nosso associado Ricardo Duarte, igualmente membro do Conselho Fiscal da Alagamares, escreve:

"Foi notícia esta semana em todos os meios a liquidação da livraria Buchholz em Lisboa. Outrora considerada a melhor livraria de Lisboa, não resistiu aos novos tempos e abriu falência no inicio do ano. Agora o preço dos livros varia entre 1 e 15 euros. 

Contrastante com a correria em massa nos primeiros dias (a liquidação irá durar até ao fim do mês) logo surgiu o habitual sentimento (quase sempre mascarado) de tristeza e indignação pelo encerramento de mais um símbolo cultural do nosso meio. 

Ora, esta situação levanta de novo uma questão antiga: até que ponto a população, sempre considerada avessa aos hábitos de leitura, é mesmo desinteressada destes bens culturais imediatos e a relação deste comportamento com o preço dos livros. 

Uma coisa é inquestionável: os preços dos livros em Portugal são altos. Quem por norma compra livros mais ou menos específicos e quem tenha facilidade em ler noutras línguas, sabe que comprando no estrangeiro os preços chegam a ser metade do valor a que são vendidos em Portugal. Para não falar da escassez de alguns temas. 

O interesse das pessoas por qualquer matéria tem a ver directamente com o acesso que lhes é proporcionado às mesmas. Neste caso o preço é o factor de afastamento para a maioria da população. 

Assim sendo é  urgente editores e livreiros mudarem as regras do mercado e perceberem que a concorrência vem de fora nesta aldeia global. Caso contrário no futuro existirão só FNACs e andaremos todos a ler Fúrias Divinas… "